quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Vicíos e/ou hábitos

É bem verdade que os vícios ou, se quisermos designá-los por rotinas são algo ambíguo!!!
Todos temos vícios mas queremos chamá-los de rotinas! É menos pejorativo e tem uma conotação positiva! A partir do momento que nascemos e, através da simples observação aprendemos a fazer as coisas do mesmo modo que os nossos pais as fazem, falta-nos sentido crítico para mudar ou escolher a nossa própria forma de fazer.
Com a entrada na adolescência criamos as nossas próprias rotinas, os nossos próprios horários e a nossa própria maneira de fazer.
O hábito de beber café, de beber chá, de fumar é algo que se adquire com o tempo.
Para um adolescente que tende a inserir-se num grupo de amigos não é fácil habituar-se a beber café, a fumar, contudo, as pressões sofridas por ele são um estímulo e, desta forma não deixam cair o hábito por terra, assumem-no como algo “saboroso”!
Para o corpo humano se habituar a uma rotina, seja ela de que ordem for, são necessários 21 dias até que passemos a fazer as coisas de forma autónoma.
Voltando ao exemplo dos jovens que tendem a inserir-se num grupo. Para o organismo se “habituar” a algo é preciso motivação, estímulos exteriores, e sobretudo predisposição natural para assimilar o hábito.

Vício ou hábito?
Vício, é um hábito profundamente enraizado de acções gravemente imorais, in Dicionário da Língua Portuguesa, 8ª edição, Porto Editora.
Hábito, no mesmo dicionário é um costume, uma tradição, uma rotina, um automatismo.
Posto isto, o ser humano é um ser de hábitos, se repararmos com propósito para as nossas acções quotidianas deparamo-nos com esta questão: porque é que eu vou todos os dias àquele café e não vou a outro? Porque é que entro sempre pela mesma porta e tento estacionar o carro no mesmo local?
A resposta vai ser, porque sempre o fiz dessa maneira, porque estou habituado desta maneira!!!

Voltando ao exemplo dos adolescentes. Eles são um grupo de fácil sedução, são menos críticos que os adultos e, por isso são um alvo fácil para ganhar rapidamente hábitos dispendiosos e também vícios.
Segundo Mark Twain: Não nos libertamos de um hábito, atirando-o pela janela; é preciso fazê-lo descer a escada, degrau a degrau!”

As campanhas de sensibilização, seguidas de programas de ajuda a grupos de “viciados” tais como Alcoólicos Anónimos, Toxicodependentes só terão o devido sucesso se, a duração do tratamento for maior ou igual a três semanas e, se à posteriori, essas mesmas pessoas não voltarem ao ambiente desfavorecido socialmente onde se inserem.
Se tentarmos erradicar o hábito de forma repentina, sofremos interiormente, em família, na sociedade e é um comportamente que tende ao insucesso pelo simples facto de nos trazer sofrimento.
Se tentarmos erradicar o vício torna-se uma tarefa bastante sofrível e com um grau de insucesso grande.

O corpo humano é fraco no que diz respeito à combatividade que damos ao vício e tende a assumir comportamentos aprazíveis em detrimento de algo que nos provoca dor e nos priva do prazer do comodismo!
Quem não tem "O" vício não o compreende e, tende a não aceitá-lo, contudo, quem já passou por esse problema e o conseguiu superar torna-se o melhor professor para lidar com estes aprendizes. Nada melhor que a escola da vida para aprendermos e compreendermos!!!

Pais e amigos o melhor discurso que devemos fazer deve ser aquele que não começa pela palavra NÃO!
Se recuarmos à infância, sempre que houviamos “não faças” o resultado era o previsto pelo emissor!!! TEMOS DE EXPERIMENTAR!